A beleza em vós 

 

 

O que podeis imaginar de mais belo? 

Talvez uma cascata, de onde as águas se projetamem alvos torvelinhos. Ou uma praia deserta, ao

entardecer, onde a branca espuma das águas azuis beija mansamente a areia. 

Uma criança, uma rosa, um rosto... quem poderá imaginar onde cada um de vós encontra a sua

beleza maior? 

Eis que a beleza existe sob muitas formas. E não percebeis que isto acontece porque, na verdade, é

em vós que ela está: nos vossos desejos, nos vossos sentimentos, naquilo que vos fala ao

coração. 

É belo tudo aquilo que amais. No objeto do vosso amor o vosso coração encontra, a todo dia, novos

encantos; um gesto, um sorriso diferente, uma nova maneira de olhar. 

E, quando amais, tudo adquire uma nova beleza para vós. 

Por isto, eu vos digo que os sentidos do corpo não são mais do que caminhos para o vosso verdadeiro

Eu. A beleza que os vossos olhos enxergam, o delicioso odor que o vosso olfato percebe, a

delicada carícia que desperta o vosso tato, os sons que encantam a vossa audição, tudo isto é

percebido em vossa alma. 

Valorizai cada minuto do vosso tempo. 

E isto podereis fazer dedicando-o ao amor, aos sentimentos, à felicidade; não à sua procura, mas a

senti-los presentes em vós. Não o gasteis em passatempos, antes o useis para sentir a vida. 

Buscai os vossos sentimentos e as vossas idéias. Deixai que uns e outras vos orientem, cada qual a

seu turno. Porque os sentimentos, sem as idéias, são como o vento sem rumo, e as idéias, sem os

sentimentos, são como um caminho sem flores ou pedras. 

Em vós, existe algo que não está vivo senão ao sentir. E, por isto, necessitais das idéias: para que

possais controlar os vossos sentimentos. Por isto, criastes as vossas leis e as forças para fazê-las

cumprir. 

Necessitais controlar os vossos sentimentos, assim como o mar necessita controlar as suas ondas. Ou,

como o mar sem controle, destruireis as vossas próprias praias. 

Porque os sentimentos são as vossas forças, e as idéias os vossos limites. E a força, sem limite,

destruiria tudo que a cerca. 

Eis que cresceis através das idéias, e estais vivos através dos sentimentos. E os órgãos do corpo são

as portas pelas quais o vosso verdadeiro Eu pode sentir as coisas que vos cercam. 

Por isto, a beleza vos atinge. E vos traz doces emoções, e acalenta os vossos sonhos. 

E por isto a beleza varia, para cada um de vós. Pois, se as idéias seguem um caminho que

estabelecestes para vós, o sentimento de cada um é algo que só a ele pertence. 

Não o sabeis, mas cada um de vós é um mundo próprio; com os seus rios e mares, montanhas e

planícies. E, se as idéias tornam possível  a vossa mútua gravitação, é através dos sentimentos

que podeis percorrer os caminhos do vosso mundo, e descobrir-vos como realmente sois. 

Por isto, a beleza vos é tão cara. E aquele que ante ela mais se extasia pode não ser o mais inteligente

entre vós; decerto, porém, é o que mais pressente o seu verdadeiro Eu. 

E nela o consegue encontrar.

     

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